sábado, 28 de fevereiro de 2026

Porto Seguro e o desafio de estruturar sua grandeza cultural


 Introdução

Minha intenção é dar um pontapé inicial a debates sobre a cultura do município de Porto Seguro, pois alterações de pessoal na estrutura da cultura e suas contratações pode e deve fazer grande diferença a partir de 2026.

Com a conquista de nova empresa de estruturas para eventos em virtude da licitação recém realizada, alguns nomes não bem vistos pela categoria se afastam, dando oportunidades de uma nova história a ser escrita pela Gestão atual. Grande oportunidade de uma nova gestão de contratação.

O Carnaval 2026 de Porto Seguro foi sem dúvida o Carnaval mais bem estruturado dos últimos 15 anos, com estruturas de alumínio novas, com atendimento VIP as autoridades presentes, Polícia Federal, Militar, Civil, Corpo de Bombeiro, Secretarias da Saúde e Turismo, que proporcionaram também um dos Carnavais mais seguros do país.

Não podemos dizer a mesma coisa sobre a organização das  contratações artísticas e seu credenciamento e inscrições para os blocos culturais, serviço realizado por empresa terceirizada,  falhas que devem ser corrigidas em 2027. A evolução é o caminho. 

Descobrimento ou Encontro

Por décadas, Porto Seguro ocupa lugar central na narrativa oficial da história brasileira. Associada ao desembarque de Pedro Álvares Cabral em 1500, a cidade consolidou-se como símbolo do chamado “descobrimento do Brasil”.

Entretanto, a própria evolução do pensamento histórico nos ensina que antes da chegada europeia já existiam aqui povos indígenas organizados, com cultura, espiritualidade e sistemas sociais próprios — e hoje é mais adequado falar em encontro de culturas.

Mas a grandeza simbólica de Porto Seguro não se reflete proporcionalmente em suas políticas culturais públicas. E isso merece reflexão.

Uma cidade de dimensão significativa – e pouca estrutura cultural

Segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Porto Seguro tem cerca de 168 mil habitantes — um crescimento de mais de 32 % em pouco mais de uma década.
Esse crescimento demográfico, somado à visibilidade nacional do município como polo turístico e histórico, deveria se traduzir em políticas públicas culturais estruturadas e atuantes.

No entanto, na prática, Porto Seguro conta com uma Superintendência de Cultura com baixa autonomia, poucos funcionários e recursos limitados, o que reduz sua capacidade de planejar e implementar políticas de longo prazo — muito além de organizar eventos pontuais.

Cultura como atividade econômica e social

O setor cultural é uma parte significativa da economia brasileira: em 2024 empregava cerca de 5,9 milhões de pessoas, representando quase 6 % do emprego no país, com empresas culturais apresentando salários superiores à média nacional.

Em Porto Seguro e na Bahia, o turismo cultural tem impacto direto:

  • Eventos como o Carnaval de Porto Seguro reúnem mais de 70 atrações e dezenas de blocos, mobilizando artistas locais e visitantes de diferentes regiões.

  • Pesquisas estimam que o carnaval atraia centenas de milhares de pessoas, movimentando a economia local, com hotéis próximos de 90 % de ocupação e movimentação superior a R$100 milhões apenas na semana de festa.

O turismo cultural e histórico contribui consideravelmente para o fluxo turístico na Bahia, que em 2023 recebeu mais de 25 milhões de visitantes domésticos e cerca de 8,2 milhões de estrangeiros, com turismo cultural respondendo por grande parte dessa atividade.


Estrutura pública que não acompanha o potencial

Apesar desses números expressivos, Porto Seguro ainda carece de uma Secretaria Municipal de Cultura com autonomia técnica e orçamento estratégico, como têm outros municípios que conseguem captar, planejar e executar recursos — especialmente aqueles oriundos de legislações como a Lei Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo.

A falta de estrutura técnica implica desafios, como:

  • Editais culturais muitas vezes copiados de modelos federais ou de outras cidades, sem adaptação às especificidades locais;

  • Dificuldade para mapear e acompanhar a criação artística em suas diversas formas;

  • Carência de políticas de formação, capacitação e profissionalização de artistas;

  • Pouca atuação na preservação e promoção do patrimônio histórico e cultural.

Fortes identidades, pouca institucionalização

Porto Seguro tem equipamentos culturais importantes — como o Centro de Cultura do município, que recebe espetáculos de teatro, dança, música e exposições — e tradição histórica significativa, com patrimônios tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como a Igreja Matriz Nossa Senhora da Pena e a Igreja de Nossa Senhora d’Ajuda.

No entanto, esses espaços e memórias só se tornam políticas públicas verdadeiras quando há estrutura institucional que os insira em planejamento contínuo, com metas, avaliação e participação social.

Cultura é economia, identidade e futuro

Valorizar a cultura é reconhecer que ela:

  • Movimenta economias locais;

  • Fortalece identidades comunitárias e históricas;

  • Gera emprego e renda;

  • Atrai investimentos e turistas;

  • Contribui para a educação e bem-estar social.

Porto Seguro já avançou em visibilidade cultural e na ampliação de oportunidades para artistas locais. A atual gestão tem dado passos importantes, como diálogo maior com as classes artísticas e ajustes em modelos de contratação. Mas ainda há um longo caminho para transformar esse potencial em política pública consolidada e estratégica.

Perspectivas e propostas urgentes

Porto Seguro precisa:

  • Criar uma Secretaria Municipal de Cultura com equipe técnica e orçamento próprio;

  • Fortalecer um Conselho Municipal de Cultura atuante;

  • Desenvolver editais e programas localizados, conectados com os saberes e práticas culturais locais;

  • Investir em formação artística, espaços de produção e memória pública;

  • Construir um Plano Municipal de Cultura com metas plurianuais.

Porto Seguro é símbolo de um momento histórico e lar de culturas ancestrais vibrantes — indígena, afro-brasileira e contemporânea. Sua política cultural merece, enfim, corresponder a essa grandeza. E por meio de debates, opiniões, reflexões e planejamento é que podemos mudar ainda mais a história da cultura de Porto Seguro.

Insisto em dizer, que muito foi feito pelo desenvolvimento da  Cultura nos últimos 10 anos e que o Prefeito Jânio Natal vem criando estrutura legislativa e caminhos políticos para este crescimento, porém precisamos de braços e pernas para aproveitar esses mecanismos e trabalharmos incansavelmente para que o Município desponte não só como ponto físico de Pedro Alvares Cabral, mas sim como o defensor da Cultura Indígena, da valorização do sincretismo religioso turístico e cultural e de todos os artistas, artesãos, escritores e outros que trabalham com a cultura do município.

 


Sergio Couto

SINDMAEB


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Bloco Vem Com Nóis leva identidade cultural e mobiliza público no Carnaval 2026 de Porto Seguro

 



O Bloco Vem Com Nóis foi um dos destaques do Carnaval 2026 em Porto Seguro, reunindo foliões na Passarela da Cultura e apresentando um espetáculo marcado por forte identidade cultural e participação popular.

A realização contou com apoio institucional do Governo do Estado da Bahia e da Prefeitura Municipal de Porto Seguro, além do suporte das secretarias de turismo em âmbito municipal e estadual, responsáveis pela estrutura, organização e fortalecimento da programação oficial do carnaval.




À frente do trio elétrico, a Banda GC, liderada pelo vocal de Gynho Couto, apresentou repertório autoral e releituras que levantaram o público presente. Durante a passagem do bloco, a Passarela da Cultura registrou momentos de intensa interação entre artistas e foliões, com aplausos e participação ativa da multidão.



Um dos pontos centrais da apresentação foi o apelo cultural. O bloco incorporou referências à cultura afro-brasileira e ao povo Pataxó, reforçando a valorização das tradições locais e dos povos originários da região. As músicas compostas em homenagem aos orixás, ao próprio bloco e às comunidades indígenas foram recebidas com entusiasmo, destacando-se como elementos de identidade dentro da programação carnavalesca.



A proposta artística evidenciou a integração entre festa popular e valorização cultural, reafirmando o papel do carnaval como espaço de expressão, diversidade e reconhecimento das raízes históricas da Bahia.

Com estrutura ampliada e apoio institucional, o Carnaval 2026 consolidou-se como vitrine para artistas locais e manifestações culturais, e o Bloco Vem Com Nóis reforçou sua presença no cenário festivo de Porto Seguro.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

OS BLOCOS, VEM COM NÓIS E RAÍZES FORTALECEM A CULTURA DE PORTO SEGURO NA PASSARELA DA CULTURA

 




Na noite de 15 de fevereiro, o Carnaval de Porto Seguro viveu um daqueles momentos raros em que a cultura acontece de forma orgânica, verdadeira e inesquecível. Na Passarela da Cultura, dois blocos se encontraram no mesmo horário e, sem combinação prévia, construíram juntos um dos espetáculos mais simbólicos da folia deste ano.



Primeiro veio o Bloco Raízes, trazendo três alas que representavam com força e beleza a identidade do nosso povo: a cultura africana, com baianas deslumbrantes exaltando ancestralidade e resistência; os representantes indígenas da Aldeia Pataxó, reafirmando que esta terra tem dono, história e memória viva; e os lambadeiros, celebrando a dança que nasceu aqui e ganhou o mundo como marca registrada da nossa alegria.


Logo em seguida, surgiram os representantes do Bloco Vem com Nóis, todos vestindo abadás laranja — uma nova identidade visual que marca a evolução do bloco após o amarelo de 2024 e o azul de 2025. Atrás deles, o trio elétrico com bailarinos afro, músicos e indígenas Pataxós, conduzidos pela Banda GC, ecoando músicas autorais que reverenciavam os Orixás e o Povo Pataxó, transformando a avenida em um verdadeiro palco de celebração espiritual, cultural e artística.


O que o público presenciou foi mais que uma coincidência de horários — foi um encontro de propósitos. A integração foi tão harmônica que muitos acreditaram tratar-se de um único bloco. A estética, a homenagem, o respeito às raízes e a exaltação da identidade local caminharam na mesma direção. E quem ganhou foi o público.


A Passarela da Cultura mostrou que não é apenas um corredor turístico, mas um novo e legítimo ponto de afirmação da cultura baiana. Ali, naquele espaço aberto, pulsou a essência de Porto Seguro: indígena, afro-brasileira, musical, dançante e popular. Foi um espetáculo que uniu tradição e contemporaneidade, espiritualidade e festa, identidade e pertencimento.



Que encontros assim se repitam. Que os blocos continuem se fortalecendo na diversidade. E que a Passarela da Cultura se consolide cada vez mais como palco da verdadeira cultura de Porto Seguro — aquela que nasce do povo, honra suas raízes e celebra sua história.


E para quem assistiu e não sabia a quem agradecer por essa noite memorável, aqui estão os nomes dos coordenadores que, mesmo sem alinhamento prévio, acertaram em cheio: Everaldo Araújo, Gynho Couto (Sergio Couto) e Nairo da Lambada.

Quando a cultura é verdadeira, ela se encontra. E quando se encontra, ela transforma.


Por TV Opinião

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Bloco Vem Com Nós consolida tradição popular e identidade cultural no Carnaval de Porto Seguro


 




O Bloco Vem Com Nós entra na avenida trazendo uma grande celebração cultural e religiosa, com o desfile apoiado pelo Governo do Estado da Bahia e pela Prefeitura Municipal de Porto Seguro. Neste ano, o bloco prestará homenagem ao povo Pataxó e às religiões afro-brasileiras, levando para a Passarela da Cultura cantos dedicados aos Orixás, valorizando a ancestralidade, a fé e as tradições que fazem parte da formação cultural do Brasil.ANDA GC



BANDA GC COM O BLOCO PELO TERCEIRO ANO CONSECUTIVO

O desfile contará com a apresentação da Banda GC, liderada pelos artista Gynho Couto e Janine Almeida,  garantindo um espetáculo de música, cultura e espiritualidade. O bloco também levará para a avenida a cor laranja, representando os “Frutos da Terra”, simbolizando fertilidade, prosperidade e conexão com as raízes culturais do povo baiano.

Os abadás serão distribuídos gratuitamente durante a concentração do bloco. A coordenação solicita que aqueles que não conseguirem o abadá participem da festa vestidos nas cores branco ou laranja, fortalecendo a identidade visual e o espírito de união do desfile.



BLOCO FAMILIAR

Com a proposta de levar as famílias para a folia, o Bloco Vem Com Nós tem o compromisso de lotar o circuito pelo terceiro ano consecutivo. Coordenado por Everaldo Araújo e Sérgio Couto, o bloco mantém o desafio de preservar e fortalecer a tradição do Carnaval em família.

Criado a partir da iniciativa de amigos e moradores de Porto Seguro, o Bloco Vem Com Nós nasceu com o propósito de fortalecer o Carnaval de rua, valorizar a convivência comunitária e manter viva a essência popular da festa. Com o passar dos anos, o bloco se consolidou como uma das manifestações mais autênticas do calendário carnavalesco local, reunindo foliões de diferentes idades e bairros.

Desde suas primeiras edições, o Vem Com Nós se destacou pelo caráter inclusivo e espontâneo, atraindo moradores e turistas que encontram no bloco um espaço de alegria, respeito e celebração coletiva. Sem perder a irreverência típica do Carnaval baiano, o grupo construiu uma identidade própria marcada pela música, pelas cores e pela ocupação democrática dos espaços públicos.

A trajetória do bloco acompanha a própria evolução do Carnaval de Porto Seguro, que ao longo dos anos passou a receber milhares de visitantes durante o período da folia. Mesmo diante do crescimento do evento e da profissionalização da festa, o Vem Com Nós manteve suas raízes populares, priorizando a participação comunitária e a valorização dos artistas locais.



O PAPEL SOCIAL E CULTURAL

Além do aspecto festivo, o bloco também desempenha papel social relevante ao estimular o sentimento de pertencimento e fortalecer laços entre moradores. Para os organizadores, o Vem Com Nós vai além de um desfile carnavalesco: representa resistência cultural e a defesa do Carnaval de rua como expressão legítima da identidade de Porto Seguro.

A cada edição, o bloco reafirma seu compromisso com a alegria, a diversidade e a ocupação consciente da cidade, contribuindo para manter viva uma tradição que une gerações e reforça o papel do Carnaval como patrimônio cultural e social do município.

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Bloco Vem Nós lança álbum autoral e exalta a ancestralidade no Carnaval 2026 de Porto Seguro

 


Bloco Vem Nós lança álbum autoral e exalta a ancestralidade no Carnaval de Porto Seguro

O Carnaval de Porto Seguro ganha ainda mais força, identidade e ancestralidade com o Bloco Vem Nós, que em 2026 marca um novo capítulo de sua trajetória ao lançar um álbum totalmente autoral, com músicas que homenageiam o povo Pataxó, os terreiros e orixás, reafirmando a cultura afro-indígena como base viva da maior festa popular do país.

Coordenado por Everaldo Araújo e Sérgio Couto, o Bloco Vem Nós consolida sua presença no calendário carnavalesco da cidade. A dupla está à frente do projeto pelo terceiro Carnaval consecutivo, fortalecendo a proposta cultural do bloco e ampliando seu alcance artístico e simbólico a cada edição.

Música, identidade e ancestralidade

O novo álbum traz composições inéditas que dialogam diretamente com a história, a espiritualidade e a força dos povos originários e das religiões de matriz africana. As canções reverenciam a sabedoria ancestral do povo Pataxó, a importância dos terreiros como espaços de fé, cultura e resistência, além da presença simbólica de alguns orixás, que representam elementos da natureza, proteção, força e equilíbrio.

Mais do que músicas para o Carnaval, o trabalho se propõe a ser um registro cultural, sonoro e espiritual, conectando passado, presente e futuro por meio da arte.

Lançamento mundial nas plataformas digitais

O álbum do Bloco Vem Nós teve lançamento mundial e já está disponível nas principais plataformas digitais, por meio das maiores distribuidoras, permitindo que a sonoridade afro-indígena de Porto Seguro alcance públicos no Brasil e no exterior.

Everaldo Araújo, Formiga e Sergio Couto

Carnaval com propósito

No Carnaval de Porto Seguro, o Bloco Vem Nós segue como um espaço de alegria, dança e celebração, mas também de conscientização cultural e respeito às origens. O desfile do bloco é um convite à reflexão, ao reconhecimento das ancestralidades que formam o povo brasileiro e à valorização das culturas que historicamente resistem e se reinventam.

Com música autoral, identidade forte e uma mensagem potente, o Bloco Vem Nós reafirma que o Carnaval é, acima de tudo, território de expressão cultural, memória, espiritualidade e liberdade.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Guaratinga recebe novo delegado do SINDMAEB e renova compromisso com a cultura local

 Guaratinga — Bahia, 29 de janeiro de 2026



Nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, o SINDMAEB — Sindicato dos Músicos e Artistas do Estado da Bahia oficializou a certificação de Leonardo Ferreira Silva como o novo Delegado do Sindicato no município de Guaratinga – Bahia. A cerimônia de posse ocorreu em clima de entusiasmo e união pela valorização da cultura local, com a presença do vereador Leandro De Santo Corretor, conhecido como o Vereador da Saúde, e representantes da comunidade artística.

Leonardo assume o papel de coordenador regional do sindicato, com a missão de fortalecer o apoio à classe artística guaratinguense, integrar iniciativas culturais e promover o respeito aos músicos, artesãos e demais profissionais ligados à arte no município.

Debates sobre cultura, legislação e projetos culturais

Durante a reunião de posse, os presentes debateram temas fundamentais para o desenvolvimento cultural de Guaratinga, entre eles:

  • A importância da cultura local e regional, incluindo música, dança, artesanato e tradições comunitárias;

  • O respeito aos artistas e artesãos como protagonistas da identidade cultural da cidade;

  • A legislação cultural, incluindo a aplicação da Lei Aldir Blanc, que prevê mecanismos de apoio e fomento à cultura no Brasil;

  • Projetos culturais que podem trazer benefícios diretos ao município e sua população.

O presidente do sindicato, Sergio da Silva Couto Júnior, destacou a importância de ter um delegado atuante na região, capaz de articular políticas públicas, representar os interesses dos trabalhadores da cultura e estreitar o diálogo com as autoridades locais e a sociedade.

Cultura e eventos em Guaratinga: tradição e festividades

Guaratinga, município do Extremo Sul da Bahia com cerca de 20 mil habitantes, possui tradições culturais e eventos que movimentam a vida comunitária e atraem visitantes durante o ano.

Entre as manifestações e eventos que ajudam a fortalecer a cultura local estão:

  • Guará AgroFest — realizado anualmente, tradicional festa que celebra as raízes agrícolas e culturais da região com apresentações musicais locais e nacionais, gastronomia e entretenimento.

  • Arraiá da Rua Ernesto Bonifácio — tradicional festa junina com muita música típica e cultura nordestina, reunindo artistas locais e valorizando as tradições populares.

  • Festejos de Monte Alegre — celebração cultural e musical que reúne moradores e visitantes, com shows gratuitos e programação voltada ao lazer e à cultura local.

  • Festa da Cidade e eventos de emancipação política — atividades festivas e culturais que celebram o aniversário de Guaratinga e promovem a integração comunitária, incluindo exposições de artesanato e atrações musicais.

O município também já promoveu Conferências Municipais de Cultura, que reuniram artistas, produtores culturais e a sociedade civil para debater a valorização das expressões culturais locais e caminhos para fortalecer a política cultural da cidade.

O papel do SINDMAEB no fortalecimento da cultura de Guaratinga

Com a nova representação local, o SINDMAEB pretende:

  • Articular parcerias entre artistas, instituições públicas e privadas;

  • Capacitar e orientar músicos e produtores sobre editais, projetos e leis de incentivo, como a Lei Aldir Blanc, que pode prover recursos para iniciativas culturais;

  • Apoiar a inclusão de Guaratinga em calendários culturais estaduais e nacionais;

  • Promover formações e oficinas, ampliando o acesso à cultura e fortalecendo a cadeia produtiva da arte no município;

  • Defender direitos trabalhistas e reconhecimento profissional dos artistas e trabalhadores da cultura.

A posse de Leonardo Ferreira Silva marca um passo importante para a cultura guaratinguense, com a expectativa de que o sindicato se torne um parceiro estratégico na promoção de eventos, na defesa das tradições e no suporte às iniciativas que valorizem os talentos locais.

domingo, 11 de janeiro de 2026

A evolução artística de Gynho Couto nos últimos 10 anos




 Ao longo da última década, o artista Gynho Couto construiu uma trajetória marcada por amadurecimento, identidade e versatilidade. O que começou como uma carreira fortemente apoiada na performance ao vivo e em repertórios consagrados transformou-se, com o tempo, em um projeto autoral consistente, conectado ao território cultural da Bahia e aberto a múltiplas linguagens musicais.

Esta matéria faz um panorama crítico e cronológico dessa evolução.


Da estrada ao palco: a base artística (2016–2018)

Entre 2016 e 2018, Gynho Couto consolidou sua presença no circuito de shows ao vivo. Foi um período de intensa atividade em bares, eventos e festas, explorando clássicos do rock, do pop e da música popular brasileira.

Essa fase foi essencial para:

  • Desenvolvimento de presença de palco

  • Fortalecimento da identidade como intérprete

  • Criação de uma relação direta e espontânea com o público

Mais do que visibilidade, esse momento deu a Gynho uma base sólida de leitura de plateia e domínio técnico — elementos que se tornariam decisivos nos passos seguintes.


A virada autoral e a busca por identidade (2019–2020)

A partir de 2019, o artista inicia um movimento claro de transição: o repertório passa a abrir espaço para composições próprias. Ainda dialogando com influências do rock e do pop, Gynho começa a buscar uma assinatura musical que refletisse sua vivência e seu contexto cultural.

As letras ganham tom mais pessoal, abordando sentimentos, cotidiano e experiências reais. Surge aqui o embrião do compositor que deixaria de apenas interpretar para narrar sua própria história.


Pertencimento e afirmação regional (2021–2022)

Nos anos seguintes, essa identidade se fortalece. As canções passam a dialogar diretamente com o território, com a vida cultural e com o sentimento de pertencimento à Bahia e a Porto Seguro.

Gynho Couto passa a ser reconhecido não apenas como músico de palco, mas como artista autoral com discurso, alguém que traduz emoções individuais em narrativas coletivas.

Essa fase marca um ponto importante: o artista encontra seu público não só pela música, mas pelo significado que ela carrega.


Profissionalização e presença digital (2023)

Com a entrada mais estruturada nas plataformas digitais, 2023 representa um salto profissional. Os lançamentos passam a ter melhor acabamento sonoro, arranjos mais pensados e uma preocupação maior com estética e catálogo.

O projeto deixa de ser pontual e passa a ser pensado como carreira, com músicas dialogando entre si e formando um conjunto coerente.


Maturidade, diversidade e consolidação (2024–2025)

Nos anos mais recentes, Gynho Couto amplia ainda mais seu leque criativo. Rock, pop, reggae e elementos regionais convivem com naturalidade, mostrando um artista confortável com sua própria identidade.

Além do trabalho autoral, consolida-se também uma atuação estratégica em diferentes frentes:

  • Shows autorais

  • Apresentações temáticas (rock, axé, regional)

  • Eventos corporativos, festivais e grandes encontros culturais

A presença em eventos de maior porte reforça essa fase de maturidade e reconhecimento.


Letras que evoluem com o artista

A evolução musical vem acompanhada de uma transformação lírica:

  • No início, letras diretas, emocionais e de fácil identificação

  • Na fase intermediária, surgem temas como pertencimento, cidade e identidade coletiva

  • Atualmente, aparecem reflexões mais amplas sobre relações humanas, solidariedade e consciência social

O compositor demonstra hoje domínio estético: sabe quando ser simples e quando aprofundar.


Um artista em movimento

A trajetória de Gynho Couto nos últimos 10 anos revela um artista em constante construção. Houve, sim, evolução — não apenas técnica, mas conceitual e simbólica.

De intérprete consistente a artista autoral com identidade própria, Gynho construiu um caminho que respeita suas origens e, ao mesmo tempo, aponta para novos horizontes.

O desafio que se apresenta agora é ampliar o alcance desse trabalho, levando essa identidade regional e autoral para públicos cada vez mais amplos, sem perder a essência construída ao longo da última década.

DESTAQUES

Porto Seguro e o desafio de estruturar sua grandeza cultural

  Introdução Minha intenção é dar um pontapé inicial a debates sobre a cultura do município de Porto Seguro, pois alterações de pessoal na...