Introdução
Minha intenção é dar um pontapé inicial a debates sobre a
cultura do município de Porto Seguro, pois alterações de pessoal na estrutura
da cultura e suas contratações pode e deve fazer grande diferença a partir de
2026.
Com a conquista de nova empresa de estruturas para eventos
em virtude da licitação recém realizada, alguns nomes não bem vistos pela
categoria se afastam, dando oportunidades de uma nova história a ser escrita
pela Gestão atual. Grande oportunidade de uma nova gestão de contratação.
O Carnaval 2026 de Porto Seguro foi sem dúvida o Carnaval mais bem estruturado dos últimos 15 anos, com estruturas de alumínio novas, com atendimento VIP as autoridades presentes, Polícia Federal, Militar, Civil, Corpo de Bombeiro, Secretarias da Saúde e Turismo, que proporcionaram também um dos Carnavais mais seguros do país.
Não podemos dizer a mesma coisa sobre a organização das contratações artísticas e seu credenciamento e inscrições para os blocos culturais, serviço realizado por empresa terceirizada, falhas que devem ser corrigidas em 2027. A evolução é o caminho.
Descobrimento ou Encontro
Por décadas, Porto Seguro ocupa lugar central na narrativa oficial da história brasileira. Associada ao desembarque de Pedro Álvares Cabral em 1500, a cidade consolidou-se como símbolo do chamado “descobrimento do Brasil”.
Entretanto, a própria evolução do pensamento histórico nos ensina que antes da chegada europeia já existiam aqui povos indígenas organizados, com cultura, espiritualidade e sistemas sociais próprios — e hoje é mais adequado falar em encontro de culturas.
Mas a grandeza simbólica de Porto Seguro não se reflete proporcionalmente em suas políticas culturais públicas. E isso merece reflexão.
Uma cidade de dimensão significativa – e pouca estrutura cultural
No entanto, na prática, Porto Seguro conta com uma Superintendência de Cultura com baixa autonomia, poucos funcionários e recursos limitados, o que reduz sua capacidade de planejar e implementar políticas de longo prazo — muito além de organizar eventos pontuais.
Cultura como atividade econômica e social
O setor cultural é uma parte significativa da economia brasileira: em 2024 empregava cerca de 5,9 milhões de pessoas, representando quase 6 % do emprego no país, com empresas culturais apresentando salários superiores à média nacional.
Em Porto Seguro e na Bahia, o turismo cultural tem impacto direto:
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Eventos como o Carnaval de Porto Seguro reúnem mais de 70 atrações e dezenas de blocos, mobilizando artistas locais e visitantes de diferentes regiões.
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Pesquisas estimam que o carnaval atraia centenas de milhares de pessoas, movimentando a economia local, com hotéis próximos de 90 % de ocupação e movimentação superior a R$100 milhões apenas na semana de festa.
O turismo cultural e histórico contribui consideravelmente para o fluxo turístico na Bahia, que em 2023 recebeu mais de 25 milhões de visitantes domésticos e cerca de 8,2 milhões de estrangeiros, com turismo cultural respondendo por grande parte dessa atividade.
Estrutura pública que não acompanha o potencial
Apesar desses números expressivos, Porto Seguro ainda carece de uma Secretaria Municipal de Cultura com autonomia técnica e orçamento estratégico, como têm outros municípios que conseguem captar, planejar e executar recursos — especialmente aqueles oriundos de legislações como a Lei Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo.
A falta de estrutura técnica implica desafios, como:
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Editais culturais muitas vezes copiados de modelos federais ou de outras cidades, sem adaptação às especificidades locais;
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Dificuldade para mapear e acompanhar a criação artística em suas diversas formas;
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Carência de políticas de formação, capacitação e profissionalização de artistas;
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Pouca atuação na preservação e promoção do patrimônio histórico e cultural.
Fortes identidades, pouca institucionalização
Porto Seguro tem equipamentos culturais importantes — como o Centro de Cultura do município, que recebe espetáculos de teatro, dança, música e exposições — e tradição histórica significativa, com patrimônios tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como a Igreja Matriz Nossa Senhora da Pena e a Igreja de Nossa Senhora d’Ajuda.
No entanto, esses espaços e memórias só se tornam políticas públicas verdadeiras quando há estrutura institucional que os insira em planejamento contínuo, com metas, avaliação e participação social.
Cultura é economia, identidade e futuro
Valorizar a cultura é reconhecer que ela:
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Movimenta economias locais;
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Fortalece identidades comunitárias e históricas;
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Gera emprego e renda;
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Atrai investimentos e turistas;
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Contribui para a educação e bem-estar social.
Porto Seguro já avançou em visibilidade cultural e na ampliação de oportunidades para artistas locais. A atual gestão tem dado passos importantes, como diálogo maior com as classes artísticas e ajustes em modelos de contratação. Mas ainda há um longo caminho para transformar esse potencial em política pública consolidada e estratégica.
Perspectivas e propostas urgentes
Porto Seguro precisa:
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Criar uma Secretaria Municipal de Cultura com equipe técnica e orçamento próprio;
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Fortalecer um Conselho Municipal de Cultura atuante;
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Desenvolver editais e programas localizados, conectados com os saberes e práticas culturais locais;
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Investir em formação artística, espaços de produção e memória pública;
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Construir um Plano Municipal de Cultura com metas plurianuais.
Porto Seguro é símbolo de um momento histórico e lar de culturas ancestrais vibrantes — indígena, afro-brasileira e contemporânea. Sua política cultural merece, enfim, corresponder a essa grandeza. E por meio de debates, opiniões, reflexões e planejamento é que podemos mudar ainda mais a história da cultura de Porto Seguro.
Insisto em dizer, que muito foi feito pelo desenvolvimento
da Cultura nos últimos 10 anos e que o
Prefeito Jânio Natal vem criando estrutura legislativa e caminhos políticos
para este crescimento, porém precisamos de braços e pernas para aproveitar
esses mecanismos e trabalharmos incansavelmente para que o Município desponte
não só como ponto físico de Pedro Alvares Cabral, mas sim como o defensor da
Cultura Indígena, da valorização do sincretismo religioso turístico e cultural
e de todos os artistas, artesãos, escritores e outros que trabalham com a
cultura do município.
Sergio Couto
SINDMAEB

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