quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

OS BLOCOS, VEM COM NÓIS E RAÍZES FORTALECEM A CULTURA DE PORTO SEGURO NA PASSARELA DA CULTURA

 




Na noite de 15 de fevereiro, o Carnaval de Porto Seguro viveu um daqueles momentos raros em que a cultura acontece de forma orgânica, verdadeira e inesquecível. Na Passarela da Cultura, dois blocos se encontraram no mesmo horário e, sem combinação prévia, construíram juntos um dos espetáculos mais simbólicos da folia deste ano.



Primeiro veio o Bloco Raízes, trazendo três alas que representavam com força e beleza a identidade do nosso povo: a cultura africana, com baianas deslumbrantes exaltando ancestralidade e resistência; os representantes indígenas da Aldeia Pataxó, reafirmando que esta terra tem dono, história e memória viva; e os lambadeiros, celebrando a dança que nasceu aqui e ganhou o mundo como marca registrada da nossa alegria.


Logo em seguida, surgiram os representantes do Bloco Vem com Nóis, todos vestindo abadás laranja — uma nova identidade visual que marca a evolução do bloco após o amarelo de 2024 e o azul de 2025. Atrás deles, o trio elétrico com bailarinos afro, músicos e indígenas Pataxós, conduzidos pela Banda GC, ecoando músicas autorais que reverenciavam os Orixás e o Povo Pataxó, transformando a avenida em um verdadeiro palco de celebração espiritual, cultural e artística.


O que o público presenciou foi mais que uma coincidência de horários — foi um encontro de propósitos. A integração foi tão harmônica que muitos acreditaram tratar-se de um único bloco. A estética, a homenagem, o respeito às raízes e a exaltação da identidade local caminharam na mesma direção. E quem ganhou foi o público.


A Passarela da Cultura mostrou que não é apenas um corredor turístico, mas um novo e legítimo ponto de afirmação da cultura baiana. Ali, naquele espaço aberto, pulsou a essência de Porto Seguro: indígena, afro-brasileira, musical, dançante e popular. Foi um espetáculo que uniu tradição e contemporaneidade, espiritualidade e festa, identidade e pertencimento.



Que encontros assim se repitam. Que os blocos continuem se fortalecendo na diversidade. E que a Passarela da Cultura se consolide cada vez mais como palco da verdadeira cultura de Porto Seguro — aquela que nasce do povo, honra suas raízes e celebra sua história.


E para quem assistiu e não sabia a quem agradecer por essa noite memorável, aqui estão os nomes dos coordenadores que, mesmo sem alinhamento prévio, acertaram em cheio: Everaldo Araújo, Gynho Couto (Sergio Couto) e Nairo da Lambada.

Quando a cultura é verdadeira, ela se encontra. E quando se encontra, ela transforma.


Por TV Opinião

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